Professor Julio Passos

Professor aplicando computação desplugada com crianças em sala de aula

Como implementar a BNCC da Computação sem recursos tecnológicos e internet

Mesmo que a sua escola não tenha acesso à internet e aos recursos tecnológicos necessários, é possível implementar diversas estratégias que podem otimizar o tempo do professor e o engajamento dos alunos.

A inclusão das normas de computação no currículo escolar brasileiro trouxe um grande desafio para muitas instituições de ensino, especialmente aquelas situadas em regiões com infraestrutura precária.

Muitos educadores acreditam que, para ensinar tecnologia, é obrigatório possuir laboratórios de última geração e conexão de alta velocidade. No entanto, é perfeitamente possível aplicar a BNCC da Computação sem recursos tecnológicos, focando no desenvolvimento do pensamento computacional e na lógica de programação de forma analógica.

Dessa forma, o objetivo principal não é apenas o manuseio de ferramentas digitais, mas sim o entendimento dos fundamentos que regem o mundo digital. Por isso, escolas sem acesso à internet ou sem computadores podem se destacar no ensino dessa competência essencial. Na verdade, iniciar o aprendizado sem telas pode até facilitar a compreensão de conceitos abstratos, evitando as distrações comuns do ambiente online.cação.

Assim, este artigo visa desmistificar a necessidade de hardware avançado. Além disso, apresentaremos estratégias práticas e baratas para que coordenadores e professores possam cumprir as exigências curriculares com excelência, independentemente da realidade material da escola.

O conceito de Computação Desplugada

Para compreender como atuar nesse cenário, é fundamental conhecer o conceito de Computação Desplugada (Unplugged Computing). Primeiramente, essa metodologia consiste em ensinar fundamentos da ciência da computação sem o uso de computadores. Ou seja, utiliza-se papel, caneta, jogos corporais e objetos do cotidiano para simular processos lógicos.

A professora Débora Garofalo, uma das maiores referências em aprendizagem maker e robótica com sucata do país, oriente que “tecnologia não é apenas trabalhada com equipamentos e softwares, ela pode ser trabalhada de diversas maneiras, uma delas é atividades low tech (de baixa tecnologia) e fora de equipamentos e computadores, como em oficinas criativas e programação desplugada. […] O foco da aprendizagem deve ser a experimentação, valorizando o aluno no centro do processo de ensino.”

Consequentemente, essa abordagem alinha-se perfeitamente às competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento enfatiza o pensamento computacional, que envolve a capacidade de resolver problemas através da decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e algoritmos. Portanto, nada disso exige, obrigatoriamente, um microchip para ser ensinado.

Ainda assim, muitos professores sentem-se inseguros por não dominarem linguagens de programação. Por outro lado, a computação desplugada democratiza o ensino, pois foca na lógica e não na sintaxe de códigos complexos, permitindo que educadores de diversas áreas integrem esses saberes em suas aulas.

Estratégias para a BNCC da Computação sem recursos tecnológicos

A aplicação prática da BNCC da Computação sem recursos tecnológicos exige criatividade e planejamento pedagógico, mas os materiais necessários são extremamente acessíveis. Sendo assim, o foco deve ser a criação de atividades que estimulem o raciocínio lógico e a resolução colaborativa de problemas.

Algoritmos com instruções do dia a dia

Um dos pilares da BNCC é o entendimento de algoritmos. Em outras palavras, um algoritmo é apenas uma sequência de passos para realizar uma tarefa. Dessa maneira, o professor pode propor atividades onde os alunos devem escrever “programas” para tarefas cotidianas.

Por exemplo, peça para a turma descrever, passo a passo, como se faz um avião de papel ou como se escova os dentes. Se um passo for esquecido, o “programa” falha. Isso ensina a importância da precisão e da ordem lógica, conceitos vitais na programação real.

Pixel Art e representação de dados

Outra forma eficaz de trabalhar a cultura digital é através da representação de imagens. Os computadores enxergam imagens como grades de números (pixels). Portanto, utilizando apenas papel quadriculado e lápis de cor, os alunos podem aprender como as imagens digitais são formadas.

O professor pode ditar um código binário simples (onde 0 é branco e 1 é preto) e os alunos devem pintar os quadradinhos correspondentes para revelar um desenho. Assim, eles compreendem a abstração de dados e a codificação de informações de maneira lúdica e visual.

Jogos de tabuleiro e a lógica de programação

Além das atividades em papel, os jogos de tabuleiro e as dinâmicas em grupo são ferramentas poderosas. Nesse sentido, é possível criar um “tabuleiro humano” no chão da sala de aula ou no pátio da escola.

Um aluno pode ser o “robô” e outro o “programador”. O programador deve dar comandos limitados (avançar, virar à esquerda, virar à direita) para que o robô chegue a um objetivo. Consequentemente, as crianças aprendem sobre depuração (debugging) quando o robô erra o caminho e precisam corrigir a sequência de comandos.

Abaixo, listamos alguns benefícios diretos dessas atividades:

  • Desenvolvimento da colaboração: Os alunos precisam trabalhar em pares ou grupos para resolver os desafios.
  • Custo zero ou muito baixo: Utiliza-se apenas recursos já disponíveis na escola.
  • Inclusão social: Ninguém é excluído por não ter familiaridade prévia com computadores.
  • Foco no conceito: Elimina a frustração com falhas técnicas de software ou hardware.

Superando a barreira da infraestrutura

É inegável que a falta de investimento em tecnologia é um problema estrutural no Brasil. No entanto, esperar pela infraestrutura ideal não é uma opção quando se trata do futuro dos estudantes. Por isso, a adaptação curricular é a chave para garantir que nenhum aluno fique para trás no desenvolvimento de competências digitais.

Ao adotar metodologias ativas e desplugadas, a escola não está oferecendo um ensino “de segunda classe”. Pelo contrário, está construindo uma base sólida de raciocínio lógico. Posteriormente, quando esses alunos tiverem acesso a computadores, a transição será muito mais fluida e intuitiva, pois eles já dominarão a lógica por trás das máquinas.

Para aprender mais sobre a BNCC da Computação

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O vídeo do professor Alberto Cunha explica passo a passo como funciona a BNCC da Computação e como você pode iniciar a implementação em sua escola.

Conclusão

Implementar a BNCC da Computação sem recursos tecnológicos não é apenas uma medida paliativa, mas uma estratégia pedagógica robusta e inclusiva. Como vimos, o cerne da computação reside na capacidade humana de resolver problemas e estruturar o pensamento, e não na máquina em si.

Portanto, gestores e professores devem sentir-se empoderados para iniciar esse trabalho imediatamente. Com papel, criatividade e colaboração, é possível transformar a sala de aula em um laboratório de inovação, garantindo o direito de aprendizagem de todos os estudantes, conectados ou não.

Excelente iniciativa. Uma seção de Perguntas Frequentes (FAQ) é uma ferramenta poderosa para o SEO. O Google adora esse formato porque ele responde diretamente às dúvidas dos usuários, aumentando as chances do seu artigo aparecer nos “Featured Snippets” (aquelas caixas de resposta rápida no topo da busca) ou na seção “As pessoas também perguntam”.

Perguntas Frequentes sobre a BNCC da Computação

1. A BNCC torna o ensino de Computação obrigatório em todas as escolas?

Sim. O complemento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) referente às normas sobre Computação na Educação Básica foi aprovado e deve ser implementado. O objetivo é garantir que todos os estudantes brasileiros desenvolvam competências digitais, independentemente de sua localização ou classe social. Portanto, escolas públicas e privadas precisam adaptar seus currículos para incluir esses conceitos.

2. É possível cumprir a BNCC da Computação sem acesso à internet ou computadores?

Com certeza. A BNCC da Computação sem recursos tecnológicos é totalmente viável através da metodologia da Computação Desplugada. O foco da base não é apenas o uso instrumental de máquinas, mas sim o desenvolvimento do pensamento computacional, cultura digital e o mundo digital. Tudo isso pode ser ensinado com atividades lúdicas, papel, caneta e jogos corporais, sem a necessidade de laboratórios de informática.

3. O que é Pensamento Computacional e por que ele é o foco da BNCC?

O Pensamento Computacional é uma habilidade de resolução de problemas que utiliza conceitos da Ciência da Computação. Ele envolve quatro pilares principais: decomposição (dividir um problema grande em partes menores), reconhecimento de padrões, abstração (focar no que é importante) e algoritmos (criar passos para a solução). Essa habilidade é essencial para o século XXI e pode ser desenvolvida de forma analógica.

4. A Computação deve ser uma disciplina isolada ou integrada a outras matérias?

A BNCC permite flexibilidade. A computação pode ser ofertada como um itinerário ou disciplina específica, mas, em escolas com poucos recursos, o modelo mais eficaz costuma ser o transversal. Ou seja, integrar os conceitos de lógica e algoritmos dentro das aulas de Matemática, criar narrativas digitais em Língua Portuguesa ou estudar dados em Geografia. Isso facilita a implementação sem exigir uma grade horária extra imediata.

5. O professor precisa ser especialista em TI para ensinar esses conceitos?

Não. Para aplicar a computação no ensino básico, especialmente a vertente desplugada, o professor não precisa ser um programador. Ele precisa compreender a lógica por trás dos processos. Com capacitação adequada e materiais de apoio focados em lógica e resolução de problemas, pedagogos e professores de diversas licenciaturas podem conduzir as atividades com excelência.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CEB nº 1, de 4 de outubro de 2022. Institui Normas sobre Computação na Educação Básica – Complemento à BNCC. Brasília: MEC, 2022. Disponível em:https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas-conectadas/BNCCComputaoCompletodiagramado.pdf  Acesso em: 30 dez. 2025.

BELL, Tim; WITTEN, Ian H.; FELLOWS, Mike. Computer Science Unplugged: ensinando ciência da computação sem o uso do computador. Tradução de Luciano Porto Barreto. Universidade de Canterbury, 2011. Disponível em: https://classic.csunplugged.org/documents/books/portuguese/CSUnpluggedTeachers-portuguese-brazil-feb-2011.pdf . Acesso em: 30 dez. 2025.

CIEB. Centro de Inovação para a Educação Brasileira. Currículo de Referência em Tecnologia e Computação. São Paulo: CIEB, 2018. Disponível em: https://curriculo.cieb.net.br/. Acesso em: 30 dez. 2025.

GAROFALO, Débora. Como trabalhar tecnologia sem recursos. UOL – Blog da Débora Garofalo, São Paulo, 23 out. 2019. Disponível em: https://deboragarofalo.blogosfera.uol.com.br/2019/10/23/como-trabalhar-tecnologia-sem-recursos/. Acesso em: 30 dez. 2025.

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Prof. Julio César Passos

Mentor de Professores na Era Digital
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Respostas de 8

  1. 😊 Que matéria incrível! Eu fiquei impressionada com a ideia de ensinar computação sem precisar de computadores ou internet. A abordagem “desplugada” é super criativa e acessível.🤯

    1. Olá, Professora Vanessa! Que prazer ler seu comentário.

      Fico muito feliz que a abordagem da Computação Desplugada tenha ressoado com você! O meu objetivo com o artigo foi justamente mostrar que a BNCC da Computação é um caminho viável para todas as realidades escolares, independentemente da infraestrutura tecnológica.

      Ensinar conceitos como algoritmos, lógica de programação e análise de dados através de brincadeiras e desafios físicos não apenas torna o aprendizado mais lúdico, mas também promove uma educação inclusiva. Quando tiramos o foco da tela, as crianças conseguem visualizar a lógica por trás dos processos de forma muito mais concreta.

      Espero que as estratégias citadas ajudem na implementação do Pensamento Computacional em suas aulas. Se precisar de mais exemplos de dinâmicas ou materiais para baixar, conte comigo!

      Vamos juntas transformar a educação digital no Brasil, com ou sem internet! 🚀

  2. Acho que essa é uma ótima maneira de democratizar o ensino de tecnologia e garantir que todos os alunos tenham acesso a essas habilidades essenciais. 💡

    1. Professor Robson, você tocou no ponto central dessa discussão: a democratização do conhecimento.

      Muitas vezes, a falta de laboratórios de informática é vista como uma barreira intransponível, mas a Computação Desplugada prova que o desenvolvimento das habilidades essenciais do século XXI — como o raciocínio lógico, a decomposição de problemas e o pensamento crítico — pode (e deve) acontecer em qualquer espaço.

      Garantir que todos os alunos, independentemente da sua localização geográfica ou condição socioeconômica, tenham acesso aos fundamentos da ciência da computação é um passo fundamental para uma alfabetização digital plena. Ao ensinar tecnologia sem depender de máquinas, estamos focando no que é mais importante: o desenvolvimento cognitivo do estudante.

      Muito obrigada pela sua contribuição! É através desse olhar atento dos educadores que construiremos uma escola mais justa e preparada para os desafios do futuro.

  3. O exemplo do “robô” e do “programador” no tabuleiro humano é genial! 😂 Imagino as crianças se divertindo e aprendendo sobre lógica de programação ao mesmo tempo. E o melhor: é possível fazer isso em qualquer escola, independentemente da infraestrutura.

    1. Professora Vanessa, essa dinâmica do ‘Robô e Programador’ é o exemplo perfeito de como a ludicidade aliada à computação desplugada gera um aprendizado profundo! 🤖

      Quando a criança assume o papel do ‘programador’ e precisa dar comandos precisos para o colega ‘robô’, ela está praticando, na verdade, a construção de algoritmos e a depuração de erros (o famoso debugging). Se o robô vira para o lado errado, o aluno percebe na hora que a instrução precisa ser ajustada, desenvolvendo o raciocínio lógico de forma imediata e prática.

      O mais incrível é que essa atividade atende diretamente às competências da BNCC da Computação, mostrando que a infraestrutura escolar não precisa ser uma limitação para a inovação pedagógica. É o ensino de tecnologia focado no desenvolvimento humano e cognitivo!

      Fico muito feliz que tenha gostado da ideia. Já consegue visualizar seus alunos aplicando esses comandos no pátio da escola?

  4. Excelente trabalho. Meus parabéns. Vou iniciar a implantação da bncc no colégio onde atuo e esse tutorial vai me ajudar muito. Obrigada

    1. Parabéns pela iniciativa, Professora Vanessa Raquel! Implementar a BNCC da Computação é um passo transformador para qualquer instituição de ensino.

      Fico honrada em saber que o meu tutorial servirá de guia para o seu trabalho no colégio. A transição para o currículo de Tecnologia e Pensamento Computacional pode parecer desafiadora no início, mas focar na Computação Desplugada é a estratégia mais inteligente para garantir que todos os docentes e alunos se sintam incluídos e capazes, antes mesmo de inserirmos o hardware.

      Este tutorial foi desenhado justamente para oferecer esse suporte prático e facilitar o planejamento de aula alinhado à BNCC. Se, durante a implantação, surgirem dúvidas sobre como avaliar essas competências ou como escalar as atividades para diferentes anos, não hesite em me procurar!

      Desejo muito sucesso nesse projeto. O seu colégio está ganhando muito com essa visão inovadora!

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